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O processo de ensino e aprendizado a partir do “Mito da Caverna”



Final de ano é sempre um ótimo momento para análises e observações e relendo o texto de Platão, fiz a seguinte reflexão:
O Mito da Caverna ou “Alegoria da Caverna”, parte da Obra da República, trata sobre um grupo de pessoas que viveram presas e acorrentadas por toda uma vida acreditando que as sombras que viam e os barulhos que ouviam eram das pessoas que os mantinham em cativeiro.
Quando um deles se soltou e pode conferir o que realmente existia primeiramente teve dificuldades para compreender, para poder visualizar com clareza o mundo novo que estava vendo. Isso porque seus olhos estavam acostumados à escuridão e o menor olhar para a claridade e para a luz fazia com que seus olhos doessem.
Depois que retornou e contou aos demais o que havia visto, estes não acreditaram e disseram que ele era louco por contradizer tudo o que haviam acreditado durante toda uma vida.

Segundo Marilena Chaui, O Mito da Caverna apresenta a dialética como movimento ascendente de libertação do nosso olhar que nos libera da cegueira para vermos a luz das idéias. Mas descreve também o retorno do prisioneiro para ensinar aos que permaneceram na caverna como sair dela. Há, assim, dois movimentos: o de ascensão (a dialética ascendente), que vai da imagem à crença ou opinião, desta para a matemática e desta para a intuição intelectual e à ciência; e o de descensão (a dialética descendente), que consiste em praticar com outros o trabalho para subir até a essência e a idéia. Aquele que contemplou as idéias no mundo inteligível desce aos que ainda não as contemplaram para ensinar-lhes o caminho. […]

Esse movimento de libertação e de retorno nós, professores, vemos e vivemos todos os dias quando tentamos explicar algo para nossos alunos.
É muito comum, e já passamos por isso quando estudantes. Isso porque eles têm uma ideia originária e preestabelecida das coisas, uma visão preconcebida de como as coisas acontecem, e crêem piamente que está é a verdade. Isso da mesma forma como os homens da Caverna imaginada por Platão acreditavam. E quando são forçados a sair da caverna os seus olhos doem e não querem ver o mundo novo.

Não a que falar em verdade, mas sim em verdades. Os homens dentro da caverna tinham uma verdade, assim como os alunos tem a sua verdade. Uma verdade construída tendo como base um conhecimento empírico e não técnico, mas um conhecimento válido.

A verdade que lhes é apresentada agora, por nós – os professores –, é nova. É contada por pessoas que foram, experimentaram o mundo fora da caverna e voltaram para contar como esse mundo é tendo como base conhecimentos técnicos e diferentes dos que até então lhes foram apresentados.

Esse movimento é recorrente e lógico e perdura através de gerações.

Ocorre que, muitas das vezes nós – os professores – nos esquecemos, no momento em que saímos da caverna, que fizemos parte desse mundo um dia. Esquecemos o quanto foi difícil sair da caverna. Esquecemos qual a base do conhecimento que os alunos têm e que é um conhecimento válido.
Para que o aprendizado aconteça, além de relatar aos homens da caverna o que foi visto e ouvido no mundo exterior, é necessário libertá-los das correntes e levá-los ao mundo exterior, para que eles possam ver com os seus próprios olhos o mundo que está sendo descrito. Para que o processo seja bem sucedido é necessário proporcionar a libertação igual a que vivemos.
É esse o movimento natural do processo de ensino e aprendizagem.

Referência:
CHAUI, Marilena. O Mito da Caverna. Disponível em: <http://asmayr.pro.br/arquivos/Ideologia/O_mito_da_caverna.pdf>. Acesso em: 01 nov. 2017.

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